Um Pouco Mais Do Mesmo

De tantos mares provei que neles me tornei, na sombra das mesmas sombras do costume. Sombras de cantos de sereia, envenenados pelo prazer da morte dos fracos e desonrosos.
Vagueio pelos ouvidos dos loucos e doentes, que a mais nada se conseguem agarrar. Prisioneira das memórias dos poetas mais antigos, daqueles que se sentavam à beira mar e contemplavam as ondas, que morriam aos seus pés, libertando tudo o que sentiam, toda a desilusão dos dias que passavam sozinhos, a dor agonizante dos seus próprios fantasmas, acorrentando-os à incerteza do momento de despertar, onde a realidade interrompe o sonho e o destrói. Onde renascemos só para voltar a morrer.