Outro Dia

Perdi-me.
Perdi-me nos tons da floresta. Perdi-me na penumbra de castanhos e verdes, longe dos brilhos do orvalho, tão iluminado pelo enjoativamente colorido pôr-do-sol.
Perdi-me nas bagas cor-de-sangue, no meio dos galhos e das flores secas, envolta pelo silêncio dos corvos que dormem e sonham com a carne que apodrece, quase tão abundante como a ignorância dos que a possuem. Nojentos.
Perdi-me de lembranças e de feições. Perdi-me de tudo até que, finalmente, me encontrei.