No meio não está nada.
No meio está algo que não quer ser, algo que tem medo de ser mais do que metade. No meio estão as cartas que não chegaram a ser entregues, estão os gritos de quem não quis voltar atrás nem seguir o seu caminho. No meio estão as vozes de quem não as tem e as imagens dos que não chegaram a ser. No meio ficam os possíveis arrependimentos, as possíveis alegrias. No meio está a possibilidade não aproveitada. No meio canta o corista que queria o solo principal. No meio dança o bailarino que não conseguiu mais do que o meio para dançar. No meio.
As nossas frases ficaram a meio.
No meio.
No meio não está nada.
Foi no meio que nos perdemos.