Conta-me histórias para que adormeça. Embala-me com a voz distante que alcança o que com o toque não se encontra. Despe-me das memórias e cobre-me de lendas, de mistérios, de segredos. Preenche o vazio dormente que criei com os meus medos e incertezas. Acalma-me com promessas de partilha, de futuros próximos e distantes, de beijos eternos. Promete-me calor. Eu tenho tanto frio...
Desculpa as minhas recaídas, o meu sono momentâneo. "Repete a última parte da história, por favor, só a última parte. Eu lembro-me de tudo." Eu lembro-me. Lembro-me de tudo o que é certo nas alturas erradas. Relembro.
"Conta-me só mais uma história", os olhos já me pesam. Não quero adormecer no silêncio. As palavras são como que carícias compreensivas, suaves, que se prolongam até ao abismo que as engole e me prende num sono de pesadelos do qual só acordo para vir a descobrir que foi só meio sonho. Meio pesadelo.
Agora, o silêncio. Não há mais histórias, só silêncio. E sonho tudo outra vez.