O medo justificado. O coração. Protegido.
Os sentimentos como âncoras. Não. Os sentimentos como pesos. Bolsos cheios.
Analogias entre nós e o tempo, entre nós e a chuva.
Entre nós, o frio.
Era uma vez...
Conta-me histórias para que adormeça. Embala-me com a voz distante que alcança o que com o toque não se encontra. Despe-me das memórias e cobre-me de lendas, de mistérios, de segredos. Preenche o vazio dormente que criei com os meus medos e incertezas. Acalma-me com promessas de partilha, de futuros próximos e distantes, de beijos eternos. Promete-me calor. Eu tenho tanto frio...
Desculpa as minhas recaídas, o meu sono momentâneo. "Repete a última parte da história, por favor, só a última parte. Eu lembro-me de tudo." Eu lembro-me. Lembro-me de tudo o que é certo nas alturas erradas. Relembro.
"Conta-me só mais uma história", os olhos já me pesam. Não quero adormecer no silêncio. As palavras são como que carícias compreensivas, suaves, que se prolongam até ao abismo que as engole e me prende num sono de pesadelos do qual só acordo para vir a descobrir que foi só meio sonho. Meio pesadelo.
Agora, o silêncio. Não há mais histórias, só silêncio. E sonho tudo outra vez.
Pesadelos
Sou frio e calor ao mesmo tempo. Sou paredes e sou chão. Sou a queda e o colchão.
Sou poemas e rosas e velas pequeninas. Algodão doce.
Sou apertos de mão firmes e costas direitas. O despertador a tocar.
Sei ser só sonho.
Suores frios...
Sou um copo escaldado em água fria.
Milkshakes
Daydream delusion
Limousine Eyelash
Oh, baby with your pretty face
Drop a tear in my wineglass
Look at those big eyes
See what you mean to me
Sweet cakes and milkshakes
I am a delusion angel
I am a fantasy parade
I want you to know what I think
Don’t want you to guess anymore
You have no idea where I came from
We have no idea where we’re going
Lodged in life
Like two branches in a river
Flowing downstream
Caught in the current
I’ll carry you. You’ll carry me
That’s how it could be
Don’t you know me?
Don’t you know me by now?
Limousine Eyelash
Oh, baby with your pretty face
Drop a tear in my wineglass
Look at those big eyes
See what you mean to me
Sweet cakes and milkshakes
I am a delusion angel
I am a fantasy parade
I want you to know what I think
Don’t want you to guess anymore
You have no idea where I came from
We have no idea where we’re going
Lodged in life
Like two branches in a river
Flowing downstream
Caught in the current
I’ll carry you. You’ll carry me
That’s how it could be
Don’t you know me?
Don’t you know me by now?
in Before Sunrise
hematomas
beijos gélidos, arrepios,
são agulhas que se me enterram nas unhas.
o masoquismo, quase sedutor,
nos lábios de quem treme,
de quem geme num quase prazer.
despe-me das palavras cálidas
e abre-me as cicatrizes.
deixa verter o sangue,
faz-me perder os sentidos.
é tão bela a agonía.
são agulhas que se me enterram nas unhas.
o masoquismo, quase sedutor,
nos lábios de quem treme,
de quem geme num quase prazer.
despe-me das palavras cálidas
e abre-me as cicatrizes.
deixa verter o sangue,
faz-me perder os sentidos.
é tão bela a agonía.
2h28
"Quase" é o pior advérbio. Quase tudo. Quase nada. Quase. Sem nunca chegar a ser. Foi só quase. Quase parte. Quase invisível. Quase que durmo. Quase que cedo. Ainda é cedo.
Não consigo pensar. Encher o silêncio com a música das viagens é quase solução. Só quase.
Não consigo dormir. É quase verdade.
Só quase.
Favourite Quotes
- I can't see anything I don't like about you.
- But you will! But you will. You know, you will think of things. And I'll get bored with you and feel trapped because that's what happens with me.
- Okay.
( silence )
- Okay.
in Eternal Sunshine Of The Spotless Mind
Happy Birthday, Jane Austen
"Our scars make us know that our past was for real."
in Pride and Prejudice
in Pride and Prejudice
1h41
Querer escrever, sem saber como o fazer, que palavras utilizar...
Escrever, apagar; escrever, apagar. Repito.
As palavras soam vazias. De repente não sei escrever.
Só vejo imagens, não as consigo descrever. Não quero.
Fico assim. Fico como?
Não sei...
Fico?
Incertezas
Eu não sou o reflexo de ninguém. Eu sou só eu. Não te peço desculpa, não tenho de o fazer. "Mas...". Mas o quê? E penso... Penso demasiado.
Odeio sentir-me assim.
Odeio sentir-me assim.
( Outro ) Meio
No meio não está nada.
No meio está algo que não quer ser, algo que tem medo de ser mais do que metade. No meio estão as cartas que não chegaram a ser entregues, estão os gritos de quem não quis voltar atrás nem seguir o seu caminho. No meio estão as vozes de quem não as tem e as imagens dos que não chegaram a ser. No meio ficam os possíveis arrependimentos, as possíveis alegrias. No meio está a possibilidade não aproveitada. No meio canta o corista que queria o solo principal. No meio dança o bailarino que não conseguiu mais do que o meio para dançar. No meio.
As nossas frases ficaram a meio.
No meio.
No meio não está nada.
Foi no meio que nos perdemos.
No meio está algo que não quer ser, algo que tem medo de ser mais do que metade. No meio estão as cartas que não chegaram a ser entregues, estão os gritos de quem não quis voltar atrás nem seguir o seu caminho. No meio estão as vozes de quem não as tem e as imagens dos que não chegaram a ser. No meio ficam os possíveis arrependimentos, as possíveis alegrias. No meio está a possibilidade não aproveitada. No meio canta o corista que queria o solo principal. No meio dança o bailarino que não conseguiu mais do que o meio para dançar. No meio.
As nossas frases ficaram a meio.
No meio.
No meio não está nada.
Foi no meio que nos perdemos.
Experiência
Ainda me lembro. Escrevo agora porque ainda me lembro. Espero não me lembrar mais tarde.
O que não existe
Metades são verdades falaciosas.
Metades são agendas.
Metades são contrários que se devoram.
Metades são a procura pelo que não está lá.
Não existem Metades. As Metades destroem-se ainda antes de existirem.
Não importa.
não sei
as vontades são meias
de qualquer coisa quase existente,
meias verdades.
não sei de quê
não sei quando fui...
vivo ás metades.
fui depois
caio depois
agora não penso.
sou só parte.
de qualquer coisa quase existente,
meias verdades.
não sei de quê
não sei quando fui...
vivo ás metades.
fui depois
caio depois
agora não penso.
sou só parte.
1h27
Conta as escadas, conta os passos. Continua a subir, só mais um pouco, só mais uns degraus. Ergue a cabeça e não olhes mais para baixo. Sobe. Pensa numa melodia, numa feliz. Esquece tudo o resto. Esquece a hora, esquece o tempo. Esquece isso. Continua a subir, ainda te faltam alguns degraus. Conta-os. Coordena-os com a melodia e elabora uma marcha. Sobe. Não olhes para baixo. E respira. Por favor, não te esqueças de respirar.
Dormência
Acho engraçado existir uma noção do estado de dormência, quando estar dormente é não se ter noção do estado de coisa alguma.
E agora?
Somos feitos como se fossemos de grafite, mas existimos em tinta permanente. Não quero ser tão permanente. Quero riscar à vontade. Quero apagar e voltar a riscar mais um pouco.
A tinta já não sai.
E agora?
Incógnita
Não sei que dia é hoje.
As cadeiras estão vazias e os corredores silenciosos. As pessoas estão ocupadas.
Não sei que dia é hoje.
O céu está nublado e os telhados gotejam lágrimas de ninguém e de toda a gente.
Não sei que dia é hoje.
Estou sentada numa das cadeiras, a olhar para um dos corredores. Não tenho nada para fazer. A chuva embala-me.
É segunda feira. É segunda feira, dia 13 de Outubro e não sei que dia é hoje.
Outro Dia
Perdi-me.
Perdi-me nos tons da floresta. Perdi-me na penumbra de castanhos e verdes, longe dos brilhos do orvalho, tão iluminado pelo enjoativamente colorido pôr-do-sol.
Perdi-me nas bagas cor-de-sangue, no meio dos galhos e das flores secas, envolta pelo silêncio dos corvos que dormem e sonham com a carne que apodrece, quase tão abundante como a ignorância dos que a possuem. Nojentos.
Perdi-me de lembranças e de feições. Perdi-me de tudo até que, finalmente, me encontrei.
Perdi-me nos tons da floresta. Perdi-me na penumbra de castanhos e verdes, longe dos brilhos do orvalho, tão iluminado pelo enjoativamente colorido pôr-do-sol.
Perdi-me nas bagas cor-de-sangue, no meio dos galhos e das flores secas, envolta pelo silêncio dos corvos que dormem e sonham com a carne que apodrece, quase tão abundante como a ignorância dos que a possuem. Nojentos.
Perdi-me de lembranças e de feições. Perdi-me de tudo até que, finalmente, me encontrei.
1h29
Acabo por sentir mais pelos outros do que por mim própria. E pergunto-me se serei só eu ou se existirão mais mentes dementes como a minha.
Ausência do Sono
Quero o que pretendo, mesmo sem querer que o pretendido seja aquilo que realmente desejo. Porque não devia ser. Porque não se compreende. E o incompreensível domina-me a consciência.
Qual consciência?
Um Pouco Mais Do Mesmo
De tantos mares provei que neles me tornei, na sombra das mesmas sombras do costume. Sombras de cantos de sereia, envenenados pelo prazer da morte dos fracos e desonrosos.
Vagueio pelos ouvidos dos loucos e doentes, que a mais nada se conseguem agarrar. Prisioneira das memórias dos poetas mais antigos, daqueles que se sentavam à beira mar e contemplavam as ondas, que morriam aos seus pés, libertando tudo o que sentiam, toda a desilusão dos dias que passavam sozinhos, a dor agonizante dos seus próprios fantasmas, acorrentando-os à incerteza do momento de despertar, onde a realidade interrompe o sonho e o destrói. Onde renascemos só para voltar a morrer.
The Great Gatsby || Favourite Quote
''I hope she'll be a fool. That's the best thing a girl can be in this world, a beautifull little fool.''
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